Novembro Azul: exame de próstata, quem deve fazer, quando e onde

Ele percebeu que o jato de urina ficou mais fraco. Levanta duas, três vezes por noite. Às vezes a vontade vem de repente e não dá para segurar. Comentou com a esposa, não comentou com ninguém no trabalho e marcou de ver isso depois. O depois dura meses. Novembro Azul existe para encurtar esse prazo: a campanha de saúde do homem, puxada no Brasil pelo Instituto Lado a Lado pela Vida, fala de câncer de próstata porque ele é frequente, cresce devagar e, descoberto cedo, tem tratamento.
Quais sinais merecem atenção?
A próstata fica abaixo da bexiga e envolve a uretra. Quando cresce, por câncer ou por aumento benigno, aperta o canal. Os sinais mais comuns:
- Jato de urina fraco, fino ou interrompido;
- Dificuldade para começar a urinar e sensação de que a bexiga não esvaziou;
- Vontade frequente e urgente, inclusive à noite;
- Sangue na urina ou no sêmen;
- Dor ao urinar ou dor persistente na região pélvica ou lombar.
Dois avisos. Primeiro: a maioria desses sinais vem de causas benignas, como a hiperplasia da próstata. Sinal não é diagnóstico; é motivo para procurar avaliação. Segundo: o câncer de próstata no início costuma não dar sintoma nenhum. Por isso o exame existe, e por isso esperar o sintoma é a pior estratégia.
Quem deve fazer o exame e a partir de que idade?
A orientação médica mais difundida no Brasil é:
- A partir dos 50 anos: PSA (exame de sangue) e toque retal, em consulta com urologista ou com o médico da UBS;
- A partir dos 45 anos: homens negros e homens com pai, irmão ou filho que tiveram câncer de próstata, porque o risco é maior nesses grupos;
- Periodicidade: definida pelo médico conforme o resultado e o histórico.
O Ministério da Saúde e o INCA não recomendam rastreamento em massa de toda a população masculina, porque o exame pode levar a tratamento desnecessário em alguns casos. Por isso a palavra certa é decisão compartilhada: o homem conversa com o médico sobre idade, histórico e preferências e decide com ele. O que não cabe é decidir sozinho que não precisa.
Os dois exames se complementam. O PSA mede uma proteína no sangue que pode subir por câncer, mas também por inflamação ou aumento benigno. O toque retal dura alguns segundos e permite sentir alterações que o PSA não mostra. Se algum dos dois der alterado, o médico pode pedir exame de imagem e biópsia. Não existe autoexame de próstata.
Onde fazer o exame pelo SUS e pelo plano?
- UBS do seu bairro: marque consulta com o clínico; ele pede o PSA e, se necessário, encaminha ao urologista pelo SUS;
- Disque Saúde 136: orientação sobre marcação e serviços;
- ICESP (Instituto do Câncer do Estado de São Paulo): referência em diagnóstico e tratamento, com encaminhamento pela rede;
- Instituto Lado a Lado pela Vida: materiais e orientação sobre a campanha Novembro Azul;
- Plano de saúde: consulte a central do seu plano para marcar urologista direto.
Por que o homem adia?
Tabu com o toque retal, medo do resultado, falta de tempo, a ideia de que ir ao médico é fraqueza. Nenhum desses motivos resiste a uma pergunta simples: o que custa mais, dez minutos de consulta ou um tratamento que começou tarde? Falar do assunto no trabalho, na família e no grupo de amigos ajuda a derrubar o tabu. Quem já fez conta como foi, e geralmente é menos do que se imaginava.
O que o exame periódico do PCMSO tem a ver com isso?
Todo empregado com carteira assinada passa por exame periódico, previsto no PCMSO (NR-07), com intervalo que depende do risco da função e da idade. É uma consulta com médico, paga pela empresa, dentro do horário de trabalho. Ela não substitui o urologista, e o PSA não é exame obrigatório do PCMSO. Mas é a oportunidade de contar o sintoma, perguntar sobre o rastreamento e sair com uma orientação ou um encaminhamento.
Para o trabalhador: use a consulta. Para a empresa: o médico do trabalho emite só o ASO, apto ou inapto. O que foi conversado fica em sigilo. Nenhum gestor recebe diagnóstico.
Como a Upside resolve
A Upside Safety Work elabora e gerencia o PCMSO das empresas, agenda os exames periódicos no prazo e envia o S-2220 ao eSocial até o dia 15 do mês seguinte. No Novembro Azul, o médico coordenador pode incluir orientação sobre saúde do homem na consulta periódica, e a empresa pode usar o DDS e a CIPA para falar do tema. Veja a área de saúde ocupacional e faça o diagnóstico gratuito de 2 minutos para saber se o PCMSO da sua empresa está em dia.